
- Nos últimos 5 anos, as varizes incapacitaram mais de 95 mil pessoas no Brasil.
- A Doença Venosa Crônica lidera afastamentos entre doenças circulatórias e expõe lacuna de mais de 20 anos em dados epidemiológicos
- Campanha Agosto Azul Vermelho busca conscientizar a população sobre a importância de cuidar da Saúde Vascular
Rio de Janeiro, RJ (agosto de 2025) – As varizes dos membros inferiores (CID I83) foram, em 2024, a principal causa de concessão de Auxílio por Incapacidade Temporária de Natureza Previdenciária1 entre todas as Doenças do Aparelho Circulatório no Brasil. Segundo o Ministério da Previdência Social, foram 27.382 afastamentos no ano — número superior aos afastamentos registrados por acidente vascular cerebral (18.916), insuficiência cardíaca (18.696) e infarto agudo do miocárdio (14.958). Nos últimos cinco anos, as varizes geraram 95.100 concessões, o equivalente a 14,4% dos cerca de 660 mil benefícios previdenciários por doenças circulatórias no período.
No mês de agosto a população é convidada a se conscientizar sobre a saúde vascular através da campanha nacional Agosto Azul Vermelho. O objetivo é alertar para a importância de cuidar das veias e artérias para prevenir as doenças relacionadas a elas. As varizes são um dos principais sinais das Doenças Venosas Crônicas (DVC), que englobam alterações nas veias superficiais, profundas ou perfurantes das pernas. Muitas vezes vista como um problema meramente estético, é importante que sejam tratadas assim que surgirem os primeiros sintomas, evitando a progressão para úlceras venosas — feridas dolorosas e de difícil cicatrização que comprometem seriamente a qualidade de vida e a capacidade produtiva, como demonstram os dados da Previdência Social.
Com base em dados globais que estimam a prevalência de doença venosa crônica em até 30% da população mundial, estima-se que a doença possa acometer mais de 63 milhões de brasileiros, sendo mais de 2 milhões com úlceras venosas2-6. No entanto, os dados epidemiológicos da doença no Brasil são imprecisos, visto que os últimos estudos nacionais datam de mais de 20 anos7,8. É o que aponta o cirurgião vascular Rodrigo Kikuchi, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, que lidera no Brasil o Registro Brasileiro de Doença Venosa Crônica (BRAVO)9 — o primeiro estudo multicêntrico nacional sobre o tema, com previsão de resultados para o primeiro semestre de 2026.
A iniciativa conta com o apoio da farmacêutica Servier do Brasil e reúne 10 centros de referência nas cinco regiões do país, incluindo o Hospital das Clínicas de São Paulo. O estudo já acompanha mais de 650 pacientes em atendimento para DVC e tem como objetivos mapear o estágio da doença no diagnóstico, identificar diferenças entre tratamentos nos sistemas públicos e privado de saúde, e apontar os principais gargalos para o diagnóstico precoce. “Acreditamos que dados atualizados e representativos são essenciais para transformar a prática clínica e embasar políticas públicas mais eficazes. Nosso objetivo é contribuir para que pacientes com Doença Venosa Crônica tenham
acesso a diagnósticos mais rápidos e a tratamentos adequados, melhorando a qualidade de vida e reduzindo o impacto socioeconômico da doença”, afirma Abraham Epelman, diretor médico da Servier do Brasil.
“Os dados da Previdência Social só reforçam que a DVC é um problema de saúde pública e de impacto econômico. Estamos falando de uma condição progressiva, que afasta trabalhadores, onera o sistema de saúde e compromete anos de vida ativa. A ausência de dados atualizados há mais de 20 anos dificulta políticas de prevenção e o acesso a terapias mais modernas”, complementa Kikuchi, que também é preceptor de Cirurgia Vascular da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
O especialista destaca que o tratamento da DVC é multifatorial e envolve medidas como controle do peso, prática regular de exercícios, uso de meias de compressão e, quando indicado, medicamentos venotônicos e vasculoprotetores, cremes para alívio das dores e até intervenção cirúrgica ou minimamente invasiva. O médico reforça ainda que que medidas simples — como manter peso saudável, praticar exercícios que fortaleçam as pernas e evitar longos períodos em pé ou sentado — podem reduzir o risco e retardar a progressão da doença. “Ao menor sinal de dor, inchaço ou veias dilatadas, procure um angiologista ou cirurgião vascular. O diagnóstico precoce é a chave para preservar a saúde e evitar afastamentos”, conclui Kikuchi.
Referências:
1. BRASIL. Ministério da Previdência Social. Dados estatísticos – Saúde e Segurança do Trabalhador: Acidente de trabalho e incapacidade. Brasília, DF. Disponível em: Tabelas – CID-10 — Ministério da Previdência Social. Acesso em: 1 jul. 2025.
2. Salim S, Machin M, Patterson BO, et al. Global Epidemiology of Chronic Venous Disease: A Systematic Review With Pooled Prevalence Analysis. Ann Surg. 2021 Dec 1;274(6):971-976.
3. Rabe E, Régnier C, Goron F, et al. The prevalence, disease characteristics and treatment of chronic venous disease: an international web-based survey. J Comp Eff Res. 2020 Dec;9(17):1205-1218.
4. Baghdadi, L.R.; Alshalan, G.F.; Alyahya, N.I.; et al. Prevalence of Varicose Veins and Its Risk Factors among Nurses Working at King Khalid University Hospital Riyadh, Saudi Arabia: A Cross-Sectional Study. Healthcare 2023, 11, 3183. doi: 10.3390/healthcare11243183
5. UNITED NATIONS. World Population Prospects 2024. New York: United Nations, 2024. Disponível em: https://population.un.org/wpp/. Acesso em: 14 ago. 2025.
6. IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Portal do IBGE. Rio de Janeiro: IBGE, [2025]. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/. Acesso em: 14 ago. 2025.
7. Scuderi A, Raskin B, Al Assal F, et al. The incidence of venous disease in Brazil based on the CEAP classification. Int Angiol. 2002 Dec;21(4):316-21
8. Maffei FH, Magaldi C, Pinho SZ, et al. Varicose veins and chronic venous insufficiency in Brazil: prevalence among 1755 inhabitants of a country town. Int J Epidemiol. 1986 Jun;15(2):210-7. doi: 10.1093/ije/15.2.210.
9. BRAVO – Brazilian Registry of Chronic Venous Disease – Risk Factors, Comorbidities, Clinical and Surgical Treatment. ClinicalTrials.gov, registro NCT06683586. Início: 18 out. 2024. Recrutando. Disponível em: https://clinicaltrials.gov/study/NCT06683586. Acesso em: 13 ago. 2025.
Material destinado a todos os públicos – M-NO-BR-202508-00044 – agosto de 2025



