Os exames deverão ser solicitados por médicos previamente cadastrados. O programa é direcionado para identificar mutações genéticas específicas, para os quais existem atualmente novas opções terapêuticas disponíveis.

Rio de Janeiro, RJ (fevereiro de 2026) – O mês de conscientização sobre a leucemia, o “Fevereiro Laranja”, alerta para a importância do diagnóstico precoce e do tratamento da doença¹. Neste sentido, as terapias alvo2 têm trazido novas perspectivas para pacientes com mutações genéticas específicas identificadas por meio de testes laboratoriais. O acesso a esses testes, no entanto, ainda é um desafio no Brasil, uma vez que não estão amplamente disponíveis no SUS e nem no sistema de saúde suplementar. Para ajudar a endereçar esse gargalo e apoiar a comunidade médica, o laboratório farmacêutico Servier do Brasil lançou um programa de diagnóstico para acesso a testes de identificação de mutações no gene IDH sem custo para o paciente. O IDHentifique3 permite a realização do teste nos casos de leucemia mieloide aguda (câncer no sangue), colangiocarcinoma localmente avançado ou metastático (câncer gastrointestinal) e glioma difuso do tipo adulto de grau 2 (câncer no cérebro).

Há mais de 20 anos acompanhando pessoas com leucemias agudas, a hematologista Dra. Elenaide Nunes, supervisora do programa de Residência em Hematologia e Hemoterapia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, conta que a leitura mais detalhada da biologia molecular das leucemias abriu espaço para a medicina de precisão. “Em pacientes com Leucemia Mieloide Aguda que apresentam mutação no gene IDH1, por exemplo, já temos dadosque, em pacientes idosos e não candidatos a terapia intensiva convencional, a utilização de terapia alvo levou cerca de metade dos pacientes à remissãoe aumentou a mediana de sobrevida global em três vezes se comparado ao tratamento padão4. E quanto mais cedo acontece o diagnóstico, mais precocemente iniciamos a intervenção, ou seja, essa agilidade pode fazer a diferença na vida desses pacientes”, afirma a médica.

A Leucemia é um tipo agressivo de câncer no sangue que ano passado atingiu cerca de 11,5 mil novas pessoas no Brasil5. Estima-se que cerca de 10% dos pacientes com leucemia mieloide aguda – subtipo de leucemia aguda mais frequente no adulto – apresentem alguma mutação no gene IDH1 R1326. “Sabemos que a LMA está entre os cânceres com maior número de alterações genéticas já descritas. Estudos internacionais7 mostram que mais de 86% dos pacientes têm duas ou mais mutações concomitantes”, relata a hematologista.

Através de uma rede de laboratórios parceiros, o Programa IDHentifique oferece testes moleculares realizados por metodologias específicas para cada tipo de tumor. As análises para colangiocarcinoma e glioma difuso são conduzidas por meio da tecnologia de sequenciamento de nova geração (NGS). Para os casos de leucemia mieloide aguda, o teste é realizado por reação em cadeia da polimerase (PCR).

Para inscrever um paciente, o médico responsável pelo tratamento deve preencher o pedido pelo site do programa (https://idhentifique.com.br/) e enviar o pedido para análise, junto com a documentação clínica. O paciente confirma o interesse em participar por meio de um termo de consentimento e, em seguida, a retirada da amostra é agendada pelo médico. O resultado é encaminhado diretamente ao médico solicitante e sai entre 3 e 5 dias úteis nos casos de LMA e entre 15 e 20 dias úteis nos demais casos, sem qualquer custo para o paciente.

O diretor médico da Servier do Brasil, Abraham Epelman, destaca que a iniciativa cumpre um importante papel junto aos pacientes e comunidade médica em Oncologia. “Por meio do programa IDHentifique, cumprimos com a nossa missão de servir as necessidades dos pacientes, garantindo análises precisas e ágeis e mantendo a qualidade em cada etapa do processo”, afirma o executivo.

Referências

1 – SÃO PAULO (Estado). Lei nº 17.207, de 12 de novembro de 2019. Institui o “Fevereiro Laranja”, campanha de conscientização sobre o diagnóstico precoce do câncer do sangue no Estado de São Paulo. Diário Oficial do Estado de São Paulo, 12 nov. 2019. Disponível em: https://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/lei/2019/lei-17207-12.11.2019.html. Acesso em: 04 fev. 2026.

2 – Pirozzi CJ, Yan H. The implications of IDH mutations for cancer development and therapy. Nat Rev Clin Oncol. 2021 Oct;18(10):645-661. doi: 10.1038/s41571-021-00521-0. Epub 2021 Jun 15. PMID: 34131315.

3 – LABORATÓRIO SERVIER DO BRASIL. IDHentifique – Diagnóstico da Mutação do Gene IDH1. Disponível em: https://idhentifique.com.br/. Acesso em: 4 fev.2026.

4 – MONTESINOS, Pau et al. Long-term results from the AGILE study of azacitidine plus ivosidenib vs placebo in newly diagnosed IDH1-mutated acute myeloid leukemia. Blood Advances, v. 9, n. 20, p. 5177-5189, 2025. DOI: 10.1182/bloodadvances.2025016399.

5 – INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER (INCA). Estimativas de leucemia no Brasil para o triênio 2023–2025. Disponível em: https://www.inca.gov.br. Acesso em: 4 fev.2026.

6 –  Steinhäuser S,et al. Isocitrate dehydrogenase 1 mutation drives leukemogenesis by PDGFRA activation due to insulator disruption in acute myeloid leukemia (AML). Leukemia. 2023 Jan;37(1):134-142. doi: 10.1038/s41375-022-01751-6. Epub 2022 Nov 21. PMID: 36411356; PMCID: PMC9883162.

7 – PAPAEMMANUIL, Elli et al. Genomic classification and prognosis in acute myeloid leukemia. The New England Journal of Medicine, Boston, v. 374, n. 23, p. 2209-2221, 2016. DOI: 10.1056/NEJMoa1516192.

Material destinado a todos os públicos – M-NO-BR-202602-00006 – fevereiro de 2026