Combinação de duas classes de medicamentos com boa tolerabilidade já disponíveis no país se mostrou eficaz na redução da hemoglobina glicada

Rio de Janeiro, RJ (abril 2026) – Um estudo internacional com participação de pesquisadores e pacientes brasileiros traz novas perspectivas de tratamento para aqueles que convivem com a doença. Conduzido em 25 centros médicos e hospitais de seis países, o estudo ADD2DIA1 contou com a participação de 537 pacientes em tratamento para diabetes tipo 2 em centros de saúde do Brasil, China, Filipinas, Rússia, Arábia Saudita e Turquia. No Brasil, o estudo2 reuniu 89 pacientes e concluiu que a associação de duas classes de medicamentos seguros, bem tolerados e já amplamente usados para o tratamento da diabetes tipo 2 no país – a gliclazida de liberação modificada (MR) e o inibidor de SGLT2 – melhora os níveis de hemoglobina glicada.

O estudo internacional, retrospectivo, teve apoio da Servier, farmacêutica que produz um dos medicamentos de referência estudados, a gliclazida MR.  Todos os participantes usavam o medicamento há pelo menos dois anos, com dose diária igual ou superior a 60mg. Os resultados do estudo realizado no Brasil apontam que, quando iniciada a associação com o inibidor de SGLT2 por pelo menos 60 dias, constatou-se uma redução da hemoglobina glicada em 0,8 ponto percentual e perda de peso média de 4,0 kg. A gliclazida MR atua no pâncreas, auxiliando o órgão a liberar mais insulina e, assim, diminuir a glicose circulando no sangue. Já o inibidor de SGLT2 atua ajudando o rim a eliminar parte do excesso de açúcar pela urina.

A idade média dos participantes do estudo foi de cerca de 62 anos, com aproximadamente 13 anos desde o diagnóstico de diabetes. Dentre eles, 30% eram portadores de doença cardiovascular, 76% tinham hipertensão arterial, 71% dislipidemia e 84% sobrepeso ou obesidade.

A médica Renata Lima, gerente de assuntos médicos da Servier do Brasil, ressalta a importância do acompanhamento regular da pessoa com diabetes para eventuais ajustes no plano terapêutico. “Os participantes do estudo apresentaram melhor controle do diabetes e redução média no peso corporal, além da combinação ter sido bem tolerada. As evidências dos benefícios dessa associação de medicamentos são importantes para a prática clínica, à medida que trazem uma perspectiva de melhora da qualidade de vida das pessoas com diabetes, que geralmente apresentam também outras comorbidades”, explica.

O endocrinologista Rodrigo Moreira, coordenador do estudo nacional, pontua que a associação desses medicamentos funciona na vida real, mas alcançar as metas de controle ainda é um desafio no Brasil. “Um dos pontos-chave para o sucesso do tratamento é a adesão correta, e terapias orais e de custo acessível tendem a favorecer o engajamento e reduzir as chances de abandono”, conclui o médico, que também é membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Referências:

  1. Moreira R. O., Nicodemus N. A. Jr., Comlekci A., Yu M., Almalki M. H. et al. (2025). ADD2Dia: Real-World Clinical Effectiveness of Adding a Sodium-Glucose Cotransporter 2 Inhibitor to Gliclazide-Based Therapy in Type 2 Diabetes. Advances in Therapy, 42. https://doi.org/10.1007/s12325-025-03394-2 Acesso em: 12 nov. 2025
  2. MOREIRA, Rodrigo Oliveira; GOMES, Thaiga Paes; LIMA, Renata Vital. ADD2DIA Study: Real-World Evidence in People with Type 2 Diabetes Mellitus for Evaluating the Effectiveness and Safety of Adding Sodium-Glucose Cotransporter-2 Inhibitor to Modified Release Gliclazide – Results from the Brazilian Population. Disponível em: https://congresso.diabetes.org.br/evento/csbd2025/trabalhosaprovados/naintegra/1121168\ Acesso em: 29 out. 2025

Material destinado a todos os públicos – M-DIAMC-BR-202511-00001 – Novembro 2025